Carlos Lima
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Internacional
Carlos Lima | Publicado em 25/05/2017 às 11:36:46

Pai e irmão de suspeito de ataque em Manchester são presos na Líbia

Pai e irmão de suspeito de ataque em Manchester são presos na Líbia Salman Abedi foi identificado pela polícia como autor do ataque

O pai e o irmão caçula do suspeito do ataque na Manchester Arena, Salman Abedi, foram presos na Líbia nesta quarta-feira, segundo informações da agência de notícias Reuters.

O irmão mais velho, Ismael, já havia sido detido na véspera na região de Chorlton, no sul de Manchester.

De acordo com os relatos, o caçula Hashem, de 20 anos, foi detido em Trípoli por suspeita de ligação com o grupo autodenominado Estado Islâmico. O pai, Ramadan, também teria sido detido na capital do país.

Salman Abedi, de 22 anos, nasceu em Manchester e era filho de líbios. Ele é apontado como o autor do atentado a bomba que matou 22 pessoas e deixou 64 feridas na saída do show da cantora Ariana Grande na última segunda-feira.

A cidade ao norte da Inglaterra abriga uma das maiores comunidades de líbios no Reino Unido, e vizinhos dos Abedi contam que eles erguiam uma bandeira líbia diante da casa em algumas épocas do ano.

Além dos parentes de Abedi, um homem foi preso por policiais a paisana na região de Wigan, na Grande Manchester, suspeito de carregar um pacote que ainda está sendo investigado pela polícia. Uma mulher também foi detida em conexão com o caso.

O governo britânico elevou o nível de risco de terrorismo internacional no Reino Unido para “crítico”, o que quer dizer que um novo ataque pode ser iminente.

A primeira-ministra Theresa May acrescentou que “há uma possibilidade que não se pode ignorar” de que haja um “grupo mais amplo de indivíduos relacionados ao ataque”.

Segundo o secretário do Interior Amber Rudd, “o ataque foi mais sofisticado que os anteriores e parece provável que Abedi não tenha agido sozinho” e a polícia investiga se ele faria parte de uma “rede”. Há suspeita de que o homem-bomba seria apenas uma “mula”, e usou um artefato produzido por outra pessoa.

“Acho que está claro que estamos investigando uma rede que continua funcionando. Há investigações em andamento e ações sendo realizadas por toda região”, disse o chefe da polícia de Manchester, Ian Hopkins.

Abedi tinha 22 anos e nasceu em Manchester, na véspera de Ano Novo em 1994. Ele teria pelo menos três irmãos: um irmão mais velho, nascido em Londres, um mais novo e uma irmã, nascidos em Manchester.

Ele era estudante da Universidade de Salford e, antes disso, estudou na Burnage Academy para Meninos entre 2009 e 2011 e no Manchester College até 2013. Segundo Hamid El-Said, que trabalhava no setor da ONU responsável pelo combate à radicalização e atualmente está na Universidade Metropolitana de Manchester, Abedi tinha uma “relação muito ruim” com a família e seus pais tentaram, em vão, mantê-lo longe de problemas.

“Eventualmente ele começou a ir muito mal na universidade e não conseguiu terminar os estudos. Eles tentaram levá-lo de volta à Líbia várias vezes porque ele tinha dificuldades de se adaptar ao estilo de vida europeu”, diz Said.

Um ex-colega de classe de Abedi disse que ele era um “cara muito brincalhão, mas com o pavio muito curto”, já que ficava nervoso “por qualquer coisa”.

O homem, que preferiu não se identificar, disse que Abedi “sumia em alguns momentos ao longo do ano”. Ele não sabe dizer se o colega estava fora do país ou fora de cena simplesmente porque “andava com o grupo errado”.

Ainda de acordo com ele, antes de deixar a escola, em 2011, Abedi se tornou “cada vez mais religioso” e isso poderia explicar por que ele cortou relações com ex-colegas de classe.

Um funcionário da comunidade muçulmana que preferiu não se identificar disse que duas pessoas que conheciam Abedi da faculdade chegaram a alertar a polícia sobre sua postura extremista, há cinco anos.

Eles estariam preocupados de que ele estaria “apoiando o terrorismo” e teria expressado sua opinião favorável a ser um homem-bomba.

Os amigos chegaram a argumentar com ele, mas ficaram tão preocupados que decidiram entrar em contato com a polícia.

BBC

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