A disfunção sexual na mulher

Share on whatsapp
Share on twitter
Share on facebook
Share on google
Share on linkedin
Share on email

Aproximadamente 30% a 50% das mulheres têm problemas sexuais em algum momento da vida. Se os problemas forem tão graves a ponto de causar desconforto, eles possivelmente serão considerados disfunção sexual.

disfunção sexual pode ser descrita e diagnosticada em termos de problemas específicos, como falta de interesse ou desejo, dificuldade de ficar excitado ou atingir o orgasmo, dor durante a atividade sexual, aperto involuntário dos músculos ao redor da vagina ou excitação física (genital) persistente e indesejada. No entanto, essas diferenças nem sempre são úteis.

Quase todas as mulheres com disfunção sexual apresentam mais de uma característica desse problema específico. Por exemplo, a mulher que tem dificuldade para ficar excitada talvez desfrute menos da relação sexual, tenha dificuldade para atingir o orgasmo ou até mesmo sinta dor durante a relação sexual.

Essa mulher e a maioria das mulheres que sentem dor durante a atividade sexual muitas vezes compreensivelmente perdem o interesse e o desejo sexual.

Função sexual normal

A função sexual e as respostas envolvem mente (pensamentos e emoções) e corpo (incluindo os sistemas nervoso, circulatório e endócrino). Resposta sexual inclui o seguinte:

Motivação é o desejo de se envolver ou de continuar com a atividade sexual. Há muitos motivos para desejar a atividade sexual, incluindo o desejo sexual. O desejo pode ser desencadeado por pensamentos, palavras, visões, cheiros ou toque. O desejo talvez seja evidente desde o início, ou aumente conforme a mulher fica excitada.

A excitação tem um elemento subjetivo; a excitação sexual que é sentida e pensada. Também tem um elemento físico: um aumento do fluxo sanguíneo até a área genital.

O aumento do fluxo sanguíneo na mulher faz com que o clitóris (que corresponde ao pênis) e as paredes vaginais fiquem inchadas (um processo chamado de ingurgitamento).

O aumento do fluxo sanguíneo também faz com que as secreções vaginais (que fornecem lubrificação) aumentem. O fluxo sanguíneo também pode aumentar sem a mulher estar ciente disso e sem que ela se sinta excitada.

Orgasmo é o pico ou clímax da excitação sexual. Pouco antes do orgasmo, a tensão muscular em todo o corpo aumenta. À medida que o orgasmo começa, os músculos ao redor da vagina se contraem ritmicamente. A mulher pode ter vários orgasmos.

Resolução é uma sensação de bem-estar e relaxamento muscular generalizado. A resolução normalmente segue o orgasmo.

No entanto, a resolução pode ocorrer lentamente após uma atividade sexual altamente excitante sem orgasmo. Algumas mulheres podem responder a estimulação adicional quase imediatamente após a resolução.

A maioria das pessoas, tanto homens como mulheres, pratica atividade sexual por várias razões. Por exemplo, a pessoa talvez se sinta atraída por alguém ou deseja ter prazer físico, carinho, amor, romance ou intimidade. No entanto, a mulher tem mais propensão a ter motivações emocionais, tais como

Experimentar e melhorar a intimidade emocional
Aumentar a sensação de bem-estar
Confirmar sua atratividade
Agradar ou conciliar um parceiro

Especialmente depois de um relacionamento que já dura muito tempo, a mulher muitas vezes tem pouco ou nenhum desejo por sexo antes da atividade sexual (desejo inicial), mas o desejo pode surgir à medida que a atividade sexual e a estimulação têm início.

O desejo antes da atividade sexual normalmente diminui à medida que a mulher envelhece, mas aumenta temporariamente quando ela tem um novo parceiro, independentemente da idade que ela tem.

Algumas mulheres podem se sentir sexualmente satisfeitas, independentemente de terem ou não um orgasmo. Outras mulheres têm muito mais satisfação sexual com um orgasmo.

Você sabia que…

Quando estão em um relacionamento que já dura muito tempo, a mulher muitas vezes tem pouco ou nenhum desejo por sexo antes do início da atividade sexual e da estimulação.

Causas

Muitos fatores causam ou contribuem para os vários tipos de disfunção sexual. Tradicionalmente, as causas são consideradas como físicas ou psicológicas.

No entanto, essa distinção não é estritamente precisa. Fatores psicológicos podem causar mudanças físicas no cérebro, nervos, hormônios e nos órgãos genitais.

Alterações físicas podem ter efeitos psicológicos, que, por sua vez, têm efeitos mais físicos. Alguns fatores estão mais relacionados com a situação do que com a mulher.

Fatores psicológicos

A depressão e a ansiedade geralmente contribuem.

O que afeta a função sexual na mulher?

Experiências anteriores podem afetar o desenvolvimento psicológico e sexual da mulher, causando problemas, como os seguintes:

Experiências sexuais desagradáveis ou outras experiências podem causar sentimentos de baixa autoestima, vergonha ou culpa.

Abuso emocional, físico ou sexual na infância ou adolescência pode ensinar a criança a controlar e ocultar suas emoções, um mecanismo de defesa útil.

No entanto, a mulher que controla e oculta suas emoções talvez tenha dificuldade em expressar os sentimentos sexuais.

Se a mulher tiver perdido um dos pais ou outro ente querido durante a infância, é possível que ela tenha dificuldade em ter intimidade com seu parceiro sexual por medo de uma perda semelhante, às vezes sem se dar conta disso.

Várias preocupações sexuais podem comprometer a função sexual. Por exemplo, a mulher talvez esteja preocupada com as consequências indesejadas do sexo ou com o seu próprio desempenho sexual ou do seu parceiro.

Fatores situacionais

Fatores relacionados à situação podem incluir:
A situação da própria mulher: Por exemplo, a mulher talvez tenha uma baixa autoimagem sexual se ela tiver problemas de fertilidade ou se já tiver realizado uma cirurgia para remover uma mama, o útero ou outra parte do corpo associada ao sexo.

O relacionamento:

A mulher talvez não confie ou talvez tenha sentimentos negativos em relação ao seu parceiro sexual. É possível que ela sinta menos atração pelo parceiro do que sentia no início do relacionamento.

Os ambientes:

É possível que o ambiente não seja suficientemente erótico, privado ou seguro para uma expressão sexual desinibida.

A cultura:

A mulher talvez pertença a uma cultura que limita a expressão ou a atividade sexual. Às vezes, algumas culturas fazem com que a mulher sinta vergonha ou culpa em relação à sexualidade.

Tanto a mulher como o parceiro talvez pertençam a culturas que têm opiniões diferentes sobre determinadas práticas sexuais.

Distrações:

Família, trabalho, finanças ou outras coisas que podem preocupar a mulher e, portanto, interferir na excitação sexual.

Fatores físicos

Vários problemas físicos e medicamentos podem causar ou contribuir para a disfunção sexual. Alterações hormonais, que podem ocorrer com o envelhecimento ou ser causadas por uma doença, podem interferir.

Por exemplo, o tecido da vagina pode ficar fino, seco e sem elasticidade após a menopausa por causa da diminuição dos níveis de estrogênio.

Esse quadro clínico, chamado vaginite atrófica, pode fazer com que as relações sexuais sejam dolorosas. A remoção de ambos os ovários também pode ter esse efeito.

Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina, um tipo de antidepressivo, geralmente causam problemas na função sexual.

Terapia com estrogênio, se administrada por via oral, às vezes é usada para controlar os sintomas associados à menopausa e talvez melhore a função sexual em mulheres na pós-menopausa quando ajuda a aliviar a vaginite atrófica ( Menopausa : Tratamento).

No entanto, o estrogênio que é inserido na vagina (estrogênio vaginal) também pode ser eficaz no tratamento da vaginite atrófica.

O estrogênio vaginal pode ser inserido como um creme (com aplicador plástico), como um comprimido ou um anel (semelhante a um diafragma).

Você sabia que…

Tomar um inibidor seletivo de recaptação da serotonina (um tipo de antidepressivo) pode interferir na função sexual, assim como a depressão.

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente envolve interrogatório detalhado de ambos os parceiros sexuais, separados e juntos. O médico faz pergunta sobre os sintomas, outras doenças, uso de medicamentos, relacionamento entre os parceiros, humor, autoestima, relacionamentos na infância, experiências sexuais passadas e traços da personalidade.

Se a mulher estiver com dor, o médico faz um exame pélvico. O médico tenta fazer esse exame da forma mais suave possível. Ele se movimenta lentamente e, geralmente, explica os procedimentos do exame em detalhes.

Se a mulher quiser, poderá pedir um espelho para observar seus órgãos genitais, o que talvez a ajude a se sentir mais no controle.

Se ela estiver com medo de qualquer coisa que entre em sua vagina, ela poderá colocar a mão na mão do médico para controlar o exame interno.

Para diagnosticar problemas sexuais, o médico geralmente não precisa usar um instrumento, como um espéculo, para fazer o exame interno.

No entanto, se o médico suspeitar de uma doença sexualmente transmissível, ele inserirá um espéculo na vagina para separar as paredes da vagina (assim como é feito durante um exame de Papanicolau) e colherá uma amostra dos líquidos da vagina.

Ele examina a amostra dos organismos que podem causar doenças sexualmente transmissíveis e possivelmente enviará uma amostra para um laboratório, onde os organismos serão desenvolvidos (cultivados) para facilitar a identificação.

Tratamento

Certos tratamentos dependem da causa da disfunção. No entanto, algumas medidas gerais podem ajudar, independentemente da causa:

Dedicar tempo para a atividade sexual: A mulher, ocupada com múltiplas tarefas, talvez esteja preocupada ou distraída com outras atividades (que envolvem trabalho, tarefas domésticas, filhos e a comunidade).

Dar prioridade à atividade sexual e reconhecer como as distrações são contraproducentes talvez ajude.

Praticar a atenção plena:

Atenção plena envolve aprender a se concentrar no que está acontecendo no momento, sem fazer julgamentos ou monitorar o que está acontecendo.

Manter-se concentrada ajuda que a mulher se livre de distrações e permite que ela preste atenção às sensações durante a atividade sexual, concentrando-se no momento.

Recursos para aprender como praticar a atenção plena estão disponíveis na internet.

Melhorar a comunicação, incluindo em relação ao sexo, entre a mulher e seu parceiro

Escolher um bom momento e lugar para a atividade sexual:

Por exemplo, tarde da noite, quando a mulher está pronta para dormir não é um bom momento. Assegurar que o local seja privado pode ajudar se a mulher tiver medo de ser descoberta ou tenha interrupção.

Dedicar tempo suficiente e estar em um ambiente que incentiva os sentimentos sexuais talvez ajude.

Envolver-se em muitos tipos de atividades sexuais:

Por exemplo, acariciar e beijar partes sensíveis do corpo e tocar os órgãos genitais um do outro o suficiente antes de iniciar a relação sexual pode aumentar a intimidade e diminuir a ansiedade.

Dedicar tempo para estarem juntos sem envolvimento de atividade sexual:

O casal que conversa regularmente está mais propenso a querer e desfrutar da atividade sexual juntos.

Incentivar a confiança, o respeito e a intimidade emocional entre os parceiros:

Essas qualidades devem ser cultivadas com ou sem ajuda profissional. A mulher precisa dessas qualidades para conseguir responder sexualmente.

O casal talvez precise de ajuda para aprender a resolver conflitos, o que pode interferir no relacionamento.

Tomar medidas para evitar as consequências indesejadas:

Tais medidas são especialmente úteis quando o medo de gravidez ou de doenças sexualmente transmissíveis inibir o desejo.

Apenas estar ciente do que é necessário para uma resposta sexual saudável talvez seja suficiente para ajudar a mulher a mudar seu pensamento e comportamento.

No entanto, geralmente é necessário mais de um tratamento, porque muitas mulheres têm mais de um tipo de disfunção sexual.

A psicoterapia ajuda muitas mulheres.

Por exemplo, a terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a mulher a reconhecer uma autoimagem negativa resultante de doença ou infertilidade.

A terapia cognitiva baseada na atenção plena (MBCT) combina terapia cognitivo-comportamental com a prática da atenção plena. Como acontece na terapia cognitivo-comportamental, a mulher é incentivada a identificar os pensamentos negativos.

A mulher é, então, incentivada a observar simplesmente esses pensamentos e a reconhecer que são apenas pensamentos e possivelmente não refletem a realidade. Essa abordagem pode tornar tais pensamentos menos distrativos e perturbadores.

Talvez seja necessária psicoterapia mais profunda quando questões da infância estiverem interferindo na função sexual.

Uma vez que os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS) podem contribuir para vários tipos de disfunção sexual, a substituição por outro antidepressivo que comprometa menos a resposta sexual talvez ajude.

Esses medicamentos podem incluir bupropiona, moclobemida, mirtazapina e duloxetina.

Além disso, a bupropiona com um ISRS pode ser melhor para a resposta sexual do que o ISRS sozinho. Algumas evidências sugerem que, se a mulher parar de ter orgasmos depois que começou a tomar ISRS, a sildenafila pode ajudá-la a voltar a ter orgasmos.

Drᵃ. Rosemary Basson.

BC Centre for Sexual MedicineVGH Blusson Centre, 2nd Floor
Vancouver, V5Z 1M9
604–875–4705
rosemary.basson@vch.cadisfunção sexual namulher

 

OUTRAS NOTÍCIAS