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Manifestação contra Bolsonaro é convocada para o dia 29 de maio

Pela primeira vez desde o início da pandemia do coronavírus uma liderança popular conclama as pessoas para irem às ruas protestar contra o Governo Bolsonaro.

Sob a justificativa de que não dá mais para esperar, organizações e partidos de esquerda encararam o dilema de convocar atos de rua contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia da Covid-19 e decidiram marcar uma manifestação nacional pelo impeachment para 29 de maio.

O risco de promover aglomerações provocou um racha na oposição ao governo, com parte dos líderes defendendo a realização de protestos desde que sejam tomadas precauções sanitárias e outra parcela se opondo, sob o temor de críticas à contradição entre discurso e prática.

A promessa é de obediência aos protocolos científicos, com obrigatoriedade do uso de máscaras (que também serão distribuídas), oferta de álcool em gel e distanciamento entre as pessoas.

O receio de ataques, no entanto, resultou em diferenças no nível de envolvimento e no tom da convocação.

Embora divergências persistam, detratores do governo discutiram a proposta nos últimos dias, em reuniões virtuais que chegaram a reunir mais de 200 pessoas, e concordaram, por maioria, com o agendamento de manifestações para o último sábado deste mês em capitais e grandes cidades.

No caso da CUT, há pressão interna de sindicatos que encampam a bandeira do isolamento social. Trabalhadores como os da educação pressionam governos e empresários para que o retorno de atividades presenciais se dê apenas com vacinação e condições seguras.

Chamar para aglomerações vai na direção oposta, o que abre margem para críticas tanto das bases quanto de apoiadores de Bolsonaro.

A CUT preferiu concentrar esforços em uma mobilização na quarta-feira (26) que terá Brasília como foco, com atos simbólicos, sem tantas pessoas.

A ideia é ir ao Congresso Nacional para falar com os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e com parlamentares para pedir o aumento do auxílio para R$ 600 e a responsabilização de Bolsonaro pela ineficiência no combate ao vírus.

Já o MST prega a estratégia de descentralização das manifestações do dia 29. Para o dirigente João Paulo Rodrigues, “não é hora de luta só de varanda, mas também não é o momento de luta de avenida Paulista lotada” —a via é o local para onde foi marcada a concentração em São Paulo, às 16h.

“A grande contradição para a esquerda é como fazer atos de impacto e ao mesmo tempo manter o isolamento social. Não é um tema simples. Temos que ter muita cautela“, diz o membro da coordenação nacional dos sem-terra.

“Tem uma militância querendo ir para a rua, muita gente indignada. É difícil falar para ir ou não. Daí a nossa ideia de que os atos sejam espalhados. E não significa que quem for é negacionista e quem não for é pelego. Temos que buscar um meio-termo“, prossegue.

Uma das preocupações é diferenciar os atos da esquerda daqueles promovidos por apoiadores de Bolsonaro, que muitas vezes atraem pessoas sem a devida proteção para evitar o contágio, como ocorreu em Brasília no sábado passado (15).

RPP

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