Políticos metem a cara nos holofotes, afinal estamos numa pandemia/Por Eduardo Kruschewsky

Eduardo Kruschewsky

Sei que este artigo vai incomodar muita gente, vão dizer que isto é coisa de comunista, petista, socialista, e outros “istas”, mas este não é um artigo político uma vez que analisa sem cor partidária a verdade sobre a situação em que nos encontramos…

Os arautos das boas novas que me perdoem, mas acho que o que está acontecendo no Brasil é uma queda de braços onde cada um, seja político de direita ou de esquerda, disputa prestígio, querendo posar de vacinador da “primeira pessoa a ser vacinada” com direito a holofotes e tudo mais, para isto tentando por todos os meios passar à frente dos adversários, mesmo que o cidadão que o elegeu fique prejudicado…

Só não perguntem aos entrevistados quando continuará a vacinação porque eles não sabem, embora aleguem que já possuem esquema, equipe, locais, freezers, etc., “esquecidos” de dizer que falta o principal: a vacina.

Esquecem os nossos dirigentes que eles foram eleitos para serem “representantes do povo” e não “ salvadores (?) da pátria ”. Num país de duzentos milhões de habitantes, por orientação de um governador apelidado de “calcinha apertada” fabricou-se uma certa quantidade de vacinas para o Corona, pensando em suprir seu Estado.

Aí, depois de criticar, espernear, discutir, brigar, vendo-se num “mato sem cachorro”, um outro político, rival do “calcinha”, teve que “engolir um sapo” ao aceitar a vacina que tanto criticava e avançou querendo tomar o butim para não perder prestígio.

Mesmo sabendo que a quantidade era ínfima, o marketing entrou em ação e foi criada a perspectiva de vacinar a todos os brasileiros com seis milhões de doses, numa fantástica multiplicação dos pães, tentando imitar o milagre de Jesus.

Fizeram o povo acreditar que seria possível uma vacinação imediata e os “formidáveis” desvendadores de equações, exibiram tabelas de imunização em etapas, tipo profissionais de saúde, maiores de 75 anos, etc., etc., como se aquilo fosse ser cumprido mas, a realidade é outra: a quantidade mostra-se pífia e será vacinada, apenas, parte do pessoal da linha de frente do combate à doença, alguns albergados e só.

A vacina que temos (seis milhões de doses), tomando por base o número de duzentos milhões de brasileiros, mal dá para 0,033% da população brasileira. Parece piada de mau gosto ou “conversa prá boi dormir” já que, pelo andar da carruagem, a vacinação para o povo vai demorar um bocado…

Mesmo sem saber o futuro da campanha, precipitaram a prometida vacinação e o ôba-ôba, com ampla cobertura da mídia, fez com que os políticos disputassem os holofotes, todos querendo ser o pai da ideia.

Todo mundo feliz e aí veio a surpresa para os menos avisados: Por enquanto, ficaremos, apenas nos seis milhões, atingindo uma pequena faixa da população.

E sabem por quê?

Creiam!

Porque (nada a ver com política, mas com comportamento humano) quem deveria estar tratando bem a quem distribui as fichas insiste em atacar quem pode nos ajudar, numa teimosia e ignorância incompreensíveis… Assim, em represália, a China está retendo o IFA, elemento químico principal na preparação de vacinas a serem fabricadas por aqui, a ponto de a Fiocruz informar que as vacinas deles só serão possíveis em março e o Butantã ter que parar a produção por falta de insumos, graças à diplomacia governamental de elefante em sala de cristais…

Pelo amor de Deus, quem poderá negociar, fazer uma retratação, sem vaidades, pedir desculpas para resolver de vez esse entrave?

Será possível, já que o afastamento do presidente não é possível por vontade de alguns, contornar este imbróglio?

Em que lugar do mundo, existem outras vacinas?

O governo tentou comprar da índia que nos colocou no fim da fila de clientes e, assim mesmo, para comprar míseras dois milhões de doses!

A vacina Sputnik (a que quem toma vai virar comunista(?!)), já foi solicitada a liberação à Anvisa que se recusa a fazê-lo pois, segundo eles, há necessidade de uma série de testes aqui em terras tupiniquins, parecendo que o ser humano brasileiro é diferente de cidadãos de outros países onde a vacina aprovou bem.

Sendo assim, segundo dizem os conhecedores do assunto, isto vai demorar algum tempo…

Enquanto isto, ela, a vacina “ comunista”, já vai começar a ser feita na Argentina. Pergunta-se: a pandemia é sanitária ou política?

Podemos nos dar ao luxo de recusar testes que já foram feitos em outros países?

É urgente ou pode esperar de pura birra?

Contrariamente, temos recebido verdadeiras lições de humanidade de outros países, o caso da surrada Venezuela que mandou caminhões de oxigênio para o Amazonas e, até mesmo, de Cuba e seus médicos.

Recentemente, o governo fechou para “enxugar a máquina “, em março de 2020, a Fafen-PR, uma fábrica de fertilizantes da Petrobrás, no Paraná. Segundo notícias, esta fábrica seria capaz de produzir com sobra todo o oxigênio que o Amazonas precisa…

Mas, esqueçam, é preciso “emagrecer” as estatais para vendê-las…

Sem querer ser engraçadinho, chego a perguntar: Será que o nosso presidente vai organizar um megaevento e achar um Messias (ou ele mesmo serve?) para fazer as nossas preciosas seis milhões de vacinas renderem, de imediato, evitando esta enxurrada de doentes e mortos?

Ou, se isso não for possível, um Messias cientista que consiga, de fato, transformar a Cloroquina na “salvação da lavoura”, ou melhor dizendo, na “cura milagrosa” para alegria do rebanho, coisa que, até agora, os teimosos defensores da droga não conseguiram…

Se Sérgio Porto, o formidável Stanilaw Ponte Preta, fosse vivo, ele, com certeza, diria que o Brasil vive um novo FEBEAPÁ (Festival de Besteira que Assola o País) ou seria um FEIMBAPÁ (Festival de Imbecilidade que Assola o País)?

Não tem outro jeito, sem outro recurso, vamos torcedr para que a vacina não demore muito. Quem escapar desta arapuca, poderá toma-la. Seja ela “ comunista`” ou não ou, até, possa nos transformar em jacarés…

Eduardo Kruschewsky

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