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As Forças Armadas e o estado da arte da covardia

Aquartelada

A nota emitida pelo Ministério da Defesa, no último dia 7, é golpista e covarde.

Foi publicada em resposta ao senador Omar Aziz, que mencionara o fato de fazer muitos anos que o Brasil não via falcatruas praticada por membros do “lado podre” das Forças Armadas.

A nota dos comandantes militares é uma ameaça, com forte conotação golpista.

É preciso dizer não a essa escalada. Não é possível silenciar.

As Forças Armadas – cujos limites de atuação constitucional servem e se submetem ao Estado Democrático de Direito e aos Poderes Civis constituídos -se intrometem na política e se aliam aos crimes praticados pelo comandante em chefe, Jair Bolsonaro.

Com a publicação da nota, colocam o dedo no gatilho. Querem o que? Uma quartelada?

O presidente Bolsonaro negou a pandemia. Propagandeou tratamentos fajutos. Fez campanha contra o uso de máscaras.

Promoveu aglomerações. Tirou a máscara do rosto de crianças. Retardou a compra de imunizantes, além de colocar em dúvida a eficácia dos disponíveis.

Há fortes indícios de que tenha prevaricado, ao ser informado, pessoalmente, das tramoias que ocorriam nos porões do Ministério da Saúde.

Tudo isso em um cenário de guerra, com UTIs lotadas. Médicos, médicas, enfermeiros, enfermeiras e demais profissionais da linha de frente exauridos.

A pandemia, fora de controle, foi tratada de forma criminosa pela Presidência da República. Tudo indica que dolosamente.

O Ministério da Saúde foi ocupado por um pelotão de incompetentes para a função. Militares estranhos ao meio e que lá foram colocados por um general da ativa, Pazuello, um dito “expert em logística” que, no mínimo testemunhou, como Ministro da Saúde, a falta de oxigênio em plena Amazônia.

Um oficial general preso a uma lógica militar, em um ministério civil, o qual não tinha o mínimo preparo para comandar ou autonomia para discordar.

Depois da publicação da nota, os generais voltaram à carga, agora representados pelo comandante da Força Aérea, brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior.

No dia seguinte à nota, em uma entrevista ao jornal O Globo, o brigadeiro refez a ameaça e disse que as Forças Armadas têm base legal para agir. Isso não é verdade.

Não há base legal que sustente as ameaças do Ministério da Defesa e dos comandantes da Força.

Presas à lógica miliciana da família Bolsonaro, as falas dos generais comandantes acovardam as Forças Armadas.

Derretem a própria credibilidade, parcialmente reconquistada após o envolvimento em torturas, prisões arbitrárias e assassinatos, durante a ditadura.

Sob a lógica neofascista do bolsonarismo, observa-se a corrosão da democracia. A cena se agrava, por conta das ameaças vindas dos quartéis.

O que se vê é a normalização de atos absurdos, ilegais e inconstitucionais. Crimes sem punição, que aceitamos diariamente, sem reação.

Ao violentar a Constituição, Bolsonaro e seus capangas desprezam o Estado Democrático de Direito e infligem à sociedade brasileira sua ideologia imperial e fascistóide, amparada em uma gestão predatória, machista, racista, misógina e desumana.

Talvez devêssemos pensar em ações sistêmicas, efetivas e informativas. Uma vigília diária, permanente, em defesa do estado democrático de direito.

É preciso dizer não à escalada criminosa do presidente da república e da banda podre das Forças Armadas.

*Marques Casara é jornalista especializado em investigação de cadeias produtivas. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP. Leia outras colunas.

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