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Famosos e políticos que se arrependeram de apoiar Jair Bolsonaro

Joice Hasselman e Bolsonaro em um registro do passado

Pesquisa divulga crescimento da avaliação negativa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que agora atinge 48% dos entrevistados, número que cresceu 4 pontos percentuais em apenas um mês.

O levantamento, que foi realizado pela Quaest Consultoria e encomendado pela Genial Investimentos, ainda apontou as intenções de voto e mostrou um crescimento na vantagem do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) sobre Bolsonaro em 2022.

De acordo com o estudo, Lula se aproxima de uma vitória ainda no primeiro turno do pleito.

Em simulações de segundo turno, Bolsonaro perderia também para Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB).

Atrás nas pesquisas eleitorais e com a rejeição nas alturas, Bolsonaro perde apoio nas classes política e empresarial, mas segue tentando alavancar sua popularidade com entrevistas em emissoras estatais e rádios comerciais com maior alcance no interior do Brasil e motociatas.

Ele também esteve presente em atos do feriado de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e na avenida Paulista, em São Paulo.

Com declarações polêmicas, disseminação de fake news, postura anticiência, demora para agir diante da pandemia que matou até o momento mais de 580 mil brasileiros, 14 milhões de desempregados e crise econômica, o que não faltam são motivos para não votar em Bolsonaro nas próximas eleições.

Mas seriam também estas as justificativas para que muitos bolsonaristas que ajudaram a elegê-lo agora estejam aumentando a lista de opositores ao governo?

Arrependidos famosos que agora declaram oposição ao presidente.

Sergio Moro
O ex-juiz federal Sérgio Moro era um dos maiores aliados de Bolsonaro e foi decisivo nas eleições de 2018 quando impediu o candidato Lula (que liderava as pesquisas) de disputar e ainda divulgou áudios da delação de Antonio Palocci dias antes do primeiro turno.

Nomeado Ministro da Justiça e Segurança Pública alguns meses após Bolsonaro ser eleito, Moro passou a integrar o governo com a promessa de ter carta branca para atuar, mas não foi o que aconteceu.

Frustrado, o ex-juiz pediu demissão do cargo e acusou o presidente de trocar o comando da Polícia Federal (PF) para ter acesso a informações sobre investigações em andamento, o que configuraria uma clara afronta à autonomia do órgão.

Até mesmo a esposa de Moro, a advogada Rosangela Moro, chegou a afirmar que se arrepende “até o último fio de cabelo” por ter votado em Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018.

A declaração foi feita ao responder uma seguidora em seu perfil no Instagram.

Joice Hasselman
Em junho de 2021, a deputada federal Joice Hasselmann anunciou a sua saída do PSL, em post publicado nas redes sociais. A parlamentar justificou a decisão porque, segundo ela, o partido não manteve apenas a “escória bolsonarista”, mas “entregou o coração da legenda”.

Pouco tempo depois, a ex-líder do governo na Câmara fez parte da coletiva de imprensa sobre o superpedido de impeachment de Jair Bolsonaro protocolado em 30/6, na Câmara dos Deputados.

O pedido afirma que o presidente cometeu pelo menos 21 crimes descritos na Lei nº 1.079/1950 (Lei do Impeachment).

Durante discurso ela comparou a conduta de Bolsonaro na pandemia de COVID-19 aos atentados contra Hiroshima e Nagasaki e o chamou de genocida:

“Genocida é a palavra. Bolsonaro jogou bombas no nosso país”, declarou. “Nunca mais, mas nem com uma arma na cabeça, esse homem leva um voto meu.”

Ela concluiu o desabafo mostrando arrependimento em ter sido líder do governo: “Eu fui líder desse ogro, desse monstro”, afirmou.

Danilo Gentili
O antipetismo de Danilo Gentili sempre esteve contido em suas piadas e a afeição por Bolsonaro era bastante nítida.

Tanto que o político se tornou o primeiro chefe do Executivo a aceitar ser entrevistado por Gentili em seu programa, The Noite, no SBT, com uma conversa em clima de muita camaradagem.

Tudo mudou depois que Gentili iniciou uma escalada de críticas ao presidente motivada pela decisão de Bolsonaro indicar o filho Eduardo ao posto de embaixador em Wash­ing­ton.

Desde então as críticas públicas do humorista ao presidente se tornaram constantes, tanto que, de acordo com o apresentador, Bolsonaro teria pedido sua demissão e tentado censurar o SBT.

Alexandre Frota
O ator Alexandre Frota esteve ao lado de Bolsonaro durante as campanhas para as eleições de 2018 e se ‘consagrou’ como um dos maiores cabos eleitorais do até então candidato à presidência do país.

Foi assim, inclusive, que acabou se elegendo deputado federal e chegou até a ser cogitado para Ministro da Cultura do novo governo.

A lua de mel não durou muito e, poucos meses após a eleição de Bolsonaro, Alexandre deu início a uma série de críticas ao político e ao PSL.

Ele acabou expulso da legenda numa decisão tomada pela Executiva do partido.

Frota foi acusado de infidelidade partidária pelos colegas Carla Zambelli (SP) e Major Olímpio (SP), por ter criticado publicamente o presidente Jair Bolsonaro e por não ter votado no segundo turno da reforma da Previdência – legislação da qual, curiosamente, ele foi um dos maiores defensores, tornando-se fiel escudeiro do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ao lado de Joice Hasselman, Frota foi um dos que encabeçaram o superpedido de impeachment de Bolsonaro em julho de 2021.

Lobão
Lobão foi outro famoso que se destacou por ser um dos grandes apoiadores de Jair Messias Bolsonaro nas eleições de 2018.

Agora, entretanto, ele ganha holofotes defendendo o movimento oposto: o do impeachment.

Segundo o cantor, o impedimento do presidente deveria ser a “prioridade zero” do Brasil no momento e que o atual governo é uma “virtuose na merda” e se opor a ele é uma questão de “higiene moral”.

“Chegou uma hora em que a gente precisa tirar esse cara. Ele tem que sair de qualquer jeito”, disse, em entrevista à BBC News Brasil recentemente.

José Luiz Datena
O apresentador do programa Brasil Urgente, na Band, tinha um posicionamento bastante favorável a Jair Bolsonaro chegando a entrevistá-lo e a defendê-lo inclusive em questões contraditórias como o decreto que facilita o acesso legal dos brasileiros às armas de fogo.

No entanto, em 2020, quando as imagens de uma reunião ministerial foram divulgadas com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) na qual Bolsonaro falou dezenas de palavrões e fez ameaças, o jornalista ‘rompeu’ ao vivo com o político.

“Me recuso a fazer qualquer comercial da Caixa e desse Governo. Sou obrigado, por contrato, a ler comerciais aqui. Fiz comerciais do Governo por ser obrigado. ‘Mas você recebeu por isso’, recebi R$ 12 mil e eram quatro ações para não descumprir meu contrato. Fiz por um preço simbólico por ação”, declarou o âncora.

Desde então o jornalista se tornou um crítico ferrenho do governo e se tornou desafeto de Bolsonaro e de seus seguidores.

Kim Kataguiri
O deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) apoiou o presidente Jair Bolsonaro em 2018 fazendo campanha para o político com aparições em comícios e declarações públicas.

O início da ruptura, de acordo com Kim, aconteceu em 26 de maio de 2019, quando o presidente e seus seguidores convocaram uma manifestação para exigir o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso.

Tudo piorou quando o então ministro da Justiça, Sergio Moro (outro ex-bolsonarista) afirmou que Bolsonaro queria nomear um aliado à frente da Polícia Federal para proteger seu filho, o senador Flavio Bolsonaro e ainda com sua negligência diante da pandemia.

Recentemente ele afirmou que seu apoio a Bolsonaro aconteceu como “voto útil contra o PT” e que o MBL (Movimento Brasil Livre) não era aliado de primeira hora do presidente.

“Ser ladrão e desonesto, isso a gente não esperava. A gente não tinha notícia de desvio de dinheiro público por parte de Jair Bolsonaro, que é o que está se demonstrando agora”, declarou.

E ainda existe uma relação imensas de figuras importantes da sociedade que abandonoram o barco de Bolsonaro.

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