O Ouro da Beija-Flor esparrama-se pela Marquês de Sapucaí

Um desfile de beleza e exuberante luxo da Escola de Samba Beija Flor

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O ouro da Beija Flor esparramou-se pela Sapucaí

Para ganhar o Carnaval tem que bater a Beija-Flor de Nilópolis.

A velha máxima, difundida desde que a Azul e Branca se transformou em uma máquina de vencer, mais uma vez se faz real.

O desfile da agremiação na noite de domingo no Sambódromo foi o mais completo da escola na década, com traços de desfiles antigos e a velha forma avassaladora de desfilar, que fazem da Beija-Flor o rolo compressor da avenida.

É impossível citar apenas um quesito como destaque em um desfile que entra para a história.

Uma comissão de frente com a assinatura do trabalho de Marcelo Misailidis, com complexidade de coreografia e riqueza de detalhes.

Conjunto de alegorias e fantasias que dificilmente será igualado esse ano e uma atuação que explica porque Neguinho da Beija-Flor é o maior intérprete do Carnaval Era Pós-Jamelão.

Comissão de Frente

Comissão de frente da Beija Flor
Comissão de frente da Beija Flor

Marcelo Misailidis assina o melhor trabalho de sua carreira com a comissão “Do trabalho escravo à exploração do ouro e o esplendor do barroco mineiro”.

Praticamente uma mini-peça teatral, que representava o período histórico da exploração do ouro, o desejo de liberdade pelos negros e as manifestações culturais. Em um primeiro momento o elemento alegórico era um carro de boi, onde negros puxavam.

A partir de uma segunda etapa o mesmo elemento era erguido e se transformava em uma igreja. De dentro dela saía o Marquês de Sapucaí. No final da apresentação, os negros ganhavam asas de liberdade e o Marquês era arrastado, sob um pano azul, para dentro do elemento.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Completando 25 anos de parceria, Claudinho e Selminha Sorriso estiveram quase perfeitos no desfile. E o único senão fica por conta da exibição para o primeiro módulo de julgamento, quando o pavilhão tocou levemente no esplendor do mestre-sala.

Mesmo assim a dupla se apresentou muito bem, com a velha categoria de sempre.

A indumentária dos dois estava belíssima, com destaque para a máscara que ambos usavam.

Eles representaram a “nobreza dos enamorados Arlequim e Colombina” e foram apresentados pelo carnavalesco Fran Sérgio.

Harmonia e Samba

O rolo compressor da Beija-Flor passou pela avenida. Conduzido com a categoria de Neguinho da Beija-Flor, 40 anos de avenida, é um ícone do Carnaval.

As alas passaram berrando o samba e alguns diretores de harmonia davam pulos de euforia, atestando o resultado do trabalho de um ano inteiro.

Os setores 01 e 07 foram os que cantaram com maior força o samba, que teve excelente rendimento na avenida, apesar de todas as críticas recebidas no período de pré-carnaval. Harmonia com a assinatura nilopolitana.

Vídeo: Volinistas na bateria empolgam Marquês de Sapucaí

Enredo

Outro ponto forte do desfile que coloca a Beija-Flor na briga pelo bicampeonato. Cada setor bem dividido com o nascimento, crescimento e a vida do Marquês de Sapucaí.

Sequenciamento cronológico com coerência e fácil entendimento. Destaque para o último setor, que mostrou a relação da Beija-Flor com o homenageado, através de alas que mostraram como era o carnaval no período do Império e uma alegoria evidenciando a maior campeã da Sapucaí, com 13 campeonatos.

Uma homenagem que deve ter deixado o Marquês cheio de orgulho na rua onde ele vive na ilusão do sambista.

Evolução

A Beija-Flor passou quicando pela avenida como não passara há algum tempo. Aquele padrão de desfile que fez da escola o que ela é hoje, referência nos quesitos de pista.

As alas passaram brincando, sem desorganização e as fantasias volumosas não atrapalharam em momento algum. O único senão ocorreu na altura do terceiro módulo de julgamento onde a escola permaneceu 10 minutos parada.

A Beija-Flor apostou em um resgate de um estilo estético que remete a carnavais dos anos 80 e 90. Os figurinos cheios de detalhes, muita roupa e qualidade impecável de materiais.

Diversas alas podem ser citadas como destaques do conjunto, que trouxe recursos como plumas e penas que deram um toque retrô luxuoso às fantasias.

A ala das baianas, “Barroco das Minas Gerais”; ala 05 – “A fé vale ouro”;  ala 20 – “Nobreza Imperial”; ala 26 – “Rio de Janeiro – a capital da corte”; ala 28 – “Uma pena para escrever”; ala 36 – “Pierrô apaixonada”. Todas impecáveis.

Alegorias

Seguiu o mesmo padrão das fantasias. O conjunto apresentado pela Beija-Flor manteve-se elevado nos sete carros apresentados no desfile. Impossível não destacar o “pede passagem” e o abre-alas, certamente uma das mais belas alegorias a cruzar o Sambódromo nos últimos anos.

A alegoria 04, “O executivo do Império” usou uma solução interessante ao usar um enorme dragão para simbolizar uma das mais importantes guardas da história. A alegoria que fechou o desfile também esteve muito bonita, com diversos pássaros beija-flor em alusão à maior campeã da Sapucaí. Conjunto que transmitiu a proposta do enredo com clareza, com extremo capricho visual.

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