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Jovem Pan mostra cena de estupro sem censura e provoca indignação

Giovanni Quintella Bezerra, o médico estuprador

Mais de 50 mulheres protestaram na frente da Jovem Pan, na avenida Paulista, em São Paulo, na quarta-feira (13). Elas acusavam a emissora de apologia ao estupro. Houve princípio de tumulto e a polícia foi acionada.

As mulheres seguravam cartazes e gritavam palavras de ordem contra a emissora, que mostrou cenas do estupro cometido pelo médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra contra uma paciente sedada durante o parto.

A gravação foi divulgada sem tarjas ou imagens “borradas”, exibindo a identidade da vítima.

Ainda na quarta-feira (13), uma mulher deu entrada com uma queixa-crime na Justiça contra a rádio e TV pela divulgação da cena sem censura. No texto da denúncia, alega-se que o canal expôs o vídeo do crime “sem utilização de recurso que impossibilitasse a identificação da vítima e, até onde consta, sem sua autorização”.

Segundo a queixa-crime, ao fazê-lo, a Jovem Pan pode ter incorrido no crime de “divulgação de cena de estupro de vulnerável”, punido pelo Código Penal no artigo 218-C. A lei foi instaurada em 2018 e a pena varia de um a cinco anos.

O documento diz ainda que o fato de a Jovem Pan ter tirado de seu site as imagens explícitas só comprova que eles não teriam autorização para divulgá-las daquela maneira.

Por meio do documento, que tem protocolo de número 038.0007.0001516/2022, a queixa-crime pede providências ao Ministério Público de São Paulo para investigar e, se preciso, formalizar denúncia contra a rádio.

Questionada pelo Pragmatismo, a assessoria de imprensa da Jovem Pan enviou um comunicado admitindo que não usou desfoque, mas nega ter exposto a vítima. A nota não explica a razão de o vídeo ter sido retirado do ar do site da emissora.

“Desde que o caso foi revelado, a Jovem Pan adotou os cuidados necessários para exercer o trabalho de informar e preservar os direitos da vítima, como é praxe em situações como essa. A Jovem Pan repudia o ato criminoso e confia que as autoridades cumprirão com o dever de investigar e punir o responsável pelas atrocidades denunciadas, garantindo assim que as vítimas consigam justiça”, diz a emissora.

Entenda o caso

Giovanni foi preso pelo estupro de uma mulher durante o parto no último domingo (10). A delegada Bárbara Lomba, da Delegacia de Atendimento à Mulher, investiga se há pelo menos mais cinco vítimas.

Os casos teriam sido cometidos nas unidades em que o médico trabalhou, entre elas o Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti (RJ).

De acordo com a polícia, a equipe de enfermagem estranhou a quantidade de sedativos que o anestesista dava para as pacientes que passariam por cesarianas.

Então, eles posicionaram um celular para gravar o procedimento e conseguiram fazer o registro do ato e denunciá-lo.

A prisão do anestesista foi registrada em vídeo na madrugada da última segunda.

RPP/MULHERES VIOLADAS

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